Bem-vindo (a) ao Mural de Homenagem ao Fado
O fado é uma das mais genuínas expressões da cultura portuguesa, um património feito de vozes, histórias e emoções que atravessam gerações. Reconhecido em 2011 pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, representa um dos mais importantes símbolos da identidade cultural de Portugal. Este mural presta homenagem a essa herança, reunindo 18 grandes fadistas que marcaram a história deste género musical e contribuíram para a sua afirmação em Portugal e no mundo.
A escolha da Estrada de Benfica para acolher esta homenagem não é um acaso. A história do fado está profundamente ligada a este território, onde, nas antigas hortas situadas fora das portas de Lisboa, na atual freguesia de São Domingos de Benfica, se realizavam memoráveis tardes e noites de fado.
Foi também na Estrada de Benfica que existiu uma das mais emblemáticas tascas da época, conhecida como “Ferro de Engomar”, um espaço onde o fado era vivido de forma espontânea, entre guitarras, cantadores e público, perpetuando uma tradição que ajudou a construir a identidade deste bairro.
Convidamo-lo (a) a descobrir a vida e a obra de cada um dos fadistas homenageados neste mural, conhecendo os seus percursos, o seu legado e o contributo que deram para fazer do fado um símbolo maior da cultura portuguesa.


Alfredo Marceneiro
Alfredo Rodrigo Duarte (1891–1982), mais conhecido como Alfredo Marceneiro, devido à sua profissão.
A primeira vez que teve contacto com o Fado foi através das cegadas de rua. Entre os seus 14 e 17 anos, começa a cantar Fados nos bailes populares que frequentava.
Em 1924, participa num concurso de Fados do Sul-América, acabando por sair vencedor. A partir desta data, a sua carreira prossegue com grande sucesso atuando em casas típicas como o Retiro da Severa, o Solar da Alegria e o Café Mondego. Já em 1940, funda a sua própria casa, o Solar do Marceneiro.
Alfredo Marceneiro é autor de fados tradicionais como “Marcha do Alfredo Marceneiro”, “Fado Laranjeira”, “Lembro-me de ti”, “Fado Bailado”, “Fado Cabaré”, “Fado Cravo”, “Fado Louco”, “Fado Aida”, entre outros.
Fonte: Museu do Fado

Amália Rodrigues
Amália Rodrigues (1920–1999), desde muito cedo que mostrou gosto e talento para cantar e, em 1935, é escolhida para interpretar o “Fado Alcântara” como solista, nos festejos dos Santos Populares, acompanhando a Marcha Popular do seu bairro.
A 19 de Abril de 1985, apresenta o primeiro concerto a título individual em Portugal, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, o qual viria a repetir, nesse mesmo ano, no Coliseu do Porto. O seu sucesso é inegável, o que a levou a realizar tournées extremamente bem-sucedidas um pouco por todo o mundo.
Foi também a fadista que introduziu a postura e a indumentária que viriam a tornar-se emblemáticas dos fadistas, nomeadamente o uso do vestido e do xaile pretos, bem como o posicionamento à frente dos guitarristas.
Amália Rodrigues é uma figura incontornável da História do Fado, deixando-nos temas como “Povo que Lavas no Rio”, “Uma Casa Portuguesa”, “Estranha Forma de Vida”, “Gaivota”, “Guitarra Triste”, “Asas Fechadas”, entre outros.
Fonte: Museu do Fado

Beatriz da Conceição
Beatriz da Conceição (1939–2015), nasceu no Porto e aqui viveu até decidir mudar-se para Lisboa. Em 1960, visitou a casa de fados Márcia Condessa, onde acabou por ser convidada a cantar. Após a sua interpretação, a própria Márcia Condessa contratou-a para integrar o elenco.
Grava o seu primeiro disco “Fui por Alfama”, em 1965, do qual fazem parte temas como “Eu sou do fado”, “Fado do adeus”, “Agora choro à vontade” e a canção que dá nome ao disco, “Fui para Alfama”.
Em 2008, a fadista foi distinguida com o “Prémio Carreira” da Fundação Amália Rodrigues e, nesse mesmo ano, é homenageada também na cidade do Porto, com o espetáculo “Alma Lusitana”, que no Teatro Sá da Bandeira.
Fonte: Museu do Fado

Berta Cardoso
Berta Cardoso (1911-1997) inicia a sua carreira os 16 anos, quando um dos seus irmãos, Américo dos Santos, que era violista amador, a convence a atuar no Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer. O êxito da sua atuação foi imediato e fez com que ficasse logo a trabalhar nessa casa.
Numa altura em que o Fado começa a ser cantado no Teatro de Revista por cantadores profissionais, Berta Cardoso surge como uma das cantadeiras que faz larga carreira neste tipo de espetáculo.
Berta Cardoso é reconhecida como uma figura emblemática do Fado tradicional
Fonte: Museu do Fado

Carlos do Carmo
Carlos do Carmo (1939- 2021) é um dos maiores nomes do Fado.
Desde muito novo que Carlos do Carmo teve contacto com o Fado: filho de uma das grandes fadistas do seu tempo, Lucília do Carmo, ia a matinés e verbenas de fim-de-semana com os seus pais.
Em 1962, após a morte do pai, Carlos do Carmo assume a gestão da casa de fados Faia, estabelecimento fundado pelos seus pais quando tinha apenas oito anos. No ano seguinte, inicia a sua carreira como intérprete, conciliando a gestão da casa com a vida artística.
A sua interpretação do tema “Loucura”, de autoria de Júlio de Sousa, foi um sucesso tal que lhe pedem para gravar essa faixa. A canção começa a passar regularmente na rádio e, por consequência desse sucesso, edita, no ano seguinte, o seu primeiro EP, “Carlos do Carmo com Orquestra de Joaquim Luiz Gomes”. Desde essa data que o fadista apresenta um reportório de excelência com discos premiados.
Destaca-se os discos “O Fado em Duas Gerações, Carlos do Carmo e Lucília do Carmo”, “Por Morrer uma Andorinha”, “Carlos do Carmo” e “Um Homem na Cidade”.
Foram-lhe atribuídos vários prémios como Grammy Lifetime Achievement Award – Premio a la Excelencia Musical 2014, pela Academia Latina de Artes y Ciencias de la Grabación e ainda o Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, em 1997.
Fonte: Museu do Fado

Carlos Ramos
Carlos Ramos (1907-1969) apaixonou-se pelo Fado no bairro de Alcântara, onde residia. A sua carreira iniciou-se pelo acompanhamento à guitarra portuguesa de diversos fadistas, passando depois a cantar.
No início da sua carreira, como guitarrista, Carlos Ramos acompanhou acompanhou conceituados fadistas em vários espetáculos e casas como o Retiro da Severa ou o Café Mondego.
Tornou-se uma presença frequente na rádio e participou num dos primeiros programas de fado transmitidos pela televisão, o que, naturalmente, contribuiu bastante para o aumento do seu sucesso e popularidade junto de um público.
Gravou vários discos e, em 1959, abre a sua casa de Fado, A Toca, que se tornará um dos estabelecimentos típicos mais afamados do Bairro Alto.
Fonte: Museu do Fado

Fernanda Maria
Fernanda Maria (1937- 2025) começou a cantar incentivada pelos clientes das casas onde servia à mesa.
Impulsionada por Alfredo Lopes, inicia os testes para a Emissora Nacional, estreando-se no Serão para Trabalhadores, emitido a partir da Voz do Operário.
Acaba por participar em vários espectáculos como o “Passatempo APA”, no Cinema Éden, “Do Céu Caiu uma Estrela”, no Ódeon, e o “Comboio das 6h30”, no Capitólio.
É um símbolo do Fado castiço, tendo sido distinguida, em 1963, com o Prémio da Imprensa, na categoria Fado, e, em 2006, com o Prémio Amália Rodrigues Carreira Feminina.
Fonte: Museu do Fado

Fernando Farinha
Fernando Farinha (1928- 1988) começou a cantar Fado aos nove anos. Ainda muito novo participou num concurso inter bairros, em representação do bairro da Bica, o que lhe valeu o subtítulo que ficou por toda a sua vida: o “Miúdo da Bica”.
Em 1940, grava o seu primeiro disco que incluía temas como “Meu Destino” e “Sempre Linda”. No ano seguinte, fará a sua estreia em revista, participando na peça “Boa vai ela”, no Teatro Maria Vitória.
Após a passagem pelos palcos e o lançamento do seu primeiro disco, o fadista volta a apresentar-se no circuito de casas típicas, passando pelo “Retiro da Severa”, “Solar da Alegria”, “Café Latino” ou “Café Luso”, entre outros.
Autor de temas como “O Miúdo da Bica” e “Fado das Trincheiras”, o fadista foi também compositor de obras como “O teu olhar”, interpretado por Carlos Ramos, e “Lugar vazio”, cantado por Tony de Matos e Hermínia Silva.
Fonte: Museu do Fado

Fernando Maurício
Fernando Maurício (1933- 2003), conhecido como o Rei do Fado, começou a cantar aos oito anos de idade na taberna da sua rua.
Conseguiu profissionalizar-se na área e, nos anos 50, atuava no Café Luso, na Adega Machado e na casa O Faia
Nos anos 60 e 70, casas como a Nau Catrineta, a Kaverna, O Poeta, a Taverna d’El Rey e o “Café Luso”, conquistaram novos públicos devido às atuações de Fernando Maurício.
Fernando Maurício cantou em programas de Fados na Emissora Nacional, atuou na RTP, gravou discos, obteve prémios. Da sua discografia, destacamos os discos “De Corpo e Alma Sou Fadista”, “Fernando Maurício, Tantos Fados Deu-me a Vida”, e “Fernando Maurício, Os 21 Fados do Rei”.
É considerado o maior fadista da sua geração e possuidor de uma das mais originais vozes de Fado.
Fonte: Museu do Fado

Hermínia Silva
Hermínia Silva (1907- 1993) alcançou grande êxito como atriz e como fadista.
Reconhecida pela sua voz castiça, torna-se grande intérprete do Fado no Teatro de Revista, participando em peças como a “Velha Tendinha”, “Rosa Enjeitada” e “Mãos Sujas”.
Quando surge a RTP, em 1957, A fadista é já uma personalidade muito conceituada, como tal, e a sua presença é imprescindível. Participou em vários programas, sendo a sua presença constante no “Natal dos Hospitais” e na “Grande Noite do Fado”.
“Atribui-se, também, a Hermínia Silva a inovação de trautear os refrões ou entoar “trolarós” que entusiasmam o público, durante a parte instrumental que antecede os finais das músicas, ao invés de ficar em silêncio como a generalidade dos outros fadistas.”
Em 1980, foi-lhe atribuída a Medalha de ouro da cidade de Lisboa; em 1985, recebe a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique; já em 1990, é distinguida com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Fonte: Museu do Fado

João Ferreira Rosa
João Ferreira Rosa (1937–2017) é uma figura central do Fado tradicional.
Enquanto autor e intérprete, celebrizou-se com o tema “Fado do Embuçado”, presente no seu primeiro EP, editado em 1961. Nesse mesmo ano, estreou-se na rádio, no programa “Nova Onda”, da Emissora Nacional.
Em 1966, inaugurou a Taverna do Embuçado, em Alfama, espaço por onde passaram várias figuras importantes do Fado.
Em 2012, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural.
Fonte: Museu do Fado

Lucília do Carmo
Lucília do Carmo (1919–1998) iniciou a sua carreira como cantadeira amadora em sociedades de recreio e festas de beneficência, em Portalegre.
Já em Lisboa, estreou-se, em 1937, no Café Mondego, alcançando um enorme êxito. Atuou em algumas das principais casas de Fado, como o Solar da Alegria, os cafés Mondego e Luso e a Parreirinha de Alfama. No entanto, foi através da rádio que ganhou maior notoriedade, participando em programas de Fado na Emissora Nacional, na Rádio Graça e na Rádio Luso.
A fadista realizou poucas digressões, especialmente após 1947, ano em que abriu, juntamente com o marido, uma casa de Fados denominada Adega da Lucília, que mais tarde viria a chamar-se Faia. Lucília do Carmo concentrou-se neste espaço, onde passou a atuar diariamente.
Na voz de Lucília do Carmo, destacam-se os temas “Maria Madalena”, “Travessa da Palha”, “Anda a Saudade Bem Alta” e “Loucura”.
Fonte: Museu do Fado

Manuel de Almeida
Manuel de Almeida (1922–1995), com apenas dez anos, já frequentava os retiros fadistas, onde assistia às atuações de inúmeros intérpretes.
Começou por ser autor de algumas letras, das quais se destaca o poema “Ala Arriba”.
Iniciou a sua carreira na Tipóia, por iniciativa de Maria Pereira, e continuou a atuar em casas de Fado típicas. Pisou também palcos nacionais e internacionais e participou em programas de rádio e televisão, incluindo as sessões experimentais da RTP, em 1956.
Em 1993, participou no Festival Internacional de Musique Croisée, em Saint-Sever, um marco importante na sua carreira, onde recebeu um prémio de interpretação e uma medalha da cidade.
Fonte: Museu do Fado

Maria Teresa de Noronha
Maria Teresa de Noronha (1918–1993) começou, ainda muito nova, a cantar em festas de família e de amigos.
A fadista teve uma educação musical de piano e canto, fez parte do coro do maestro Ivo Cruz e beneficiou de um estatuto social que lhe permitiu desenvolver a sua carreira fora do circuito das casas de Fado.
Em 1938, iniciou, na Emissora Nacional, um programa de Fado que se manteve em emissão durante vinte e três anos consecutivos. Foi através desse programa que alcançou grande popularidade, tornando-se uma figura emblemática do chamado “Fado Aristocrático”.
“Fado da Verdade”, “Fado Hilário” e “Fado Anadia” são alguns dos seus êxitos.
Fonte: Museu do Fado

Teresa Tarouca
Teresa Tarouca (1942–2019) começou a cantar aos onze anos, em espetáculos de beneficência, sendo considerada uma menina-prodígio.
A fadista destacou-se pelo cuidado de trabalhar com prestigiados autores, como D. António de Bragança, João de Noronha, Alfredo Marceneiro, Pedro Homem de Mello e Maria Manuel Cid, entre outros.
Pisou vários palcos em todo o mundo e, em 1973, foi convidada do Festival RTP da Canção, onde interpretou “Canção Verde”, de Pedro Homem de Mello, e “Cai Chuva do Céu Cinzento”, de Fernando Pessoa. Com este segundo tema, introduziu a poesia de Fernando Pessoa no Fado, algo que nunca tinha sido feito.
Em 2013, recebeu o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e o Prémio Carreira da Fundação Amália Rodrigues.
Fonte: Museu do Fado

Tony de Matos
Tony de Matos (1924–1989) sonhava cantar e, por esse motivo, decidiu mudar-se para Lisboa para se dedicar à sua carreira artística.
Alcançou uma grande popularidade ao integrar a programação da APA — Agência de Publicidade Artística — e o “Comboio das Seis e Meia”, com os quais percorreu todo o país. Os temas românticos passaram a marcar todo o seu percurso artístico.
Mais tarde, foi convidado a gravar o seu primeiro disco, do qual se destacou a canção “Cartas de Amor”, que alcançou um grande sucesso na rádio.
Devido ao seu sucesso, apresentou programas de televisão e rádio e foi contratado para realizar espetáculos e digressões um pouco por todo o mundo.
Em 1957, viajou para o Brasil, onde permaneceu durante seis anos. Em 1959, abriu, juntamente com a cantora Maria Sidónio, o restaurante “O Fado”. Durante esse período, tornou-se também uma presença frequente na rádio e na televisão brasileiras.
Dos seus êxitos, destacam-se “Lugar Vazio”, “Lado a Lado”, “Procuro Mas Não Te Encontro”, “Poema do Fim” e “Vendaval”.
Fonte: Museu do Fado

Tristão da Silva
Tristão da Silva (1927–1978) foi contratado, em 1937, com apenas nove anos, pelo empresário José Miguel, para atuar aos domingos na matinée do Café Mondego. Nessa altura, usava o nome Manuel da Silva, mas ficou conhecido como o “Miúdo do Alto do Pina”.
Em 1954, lançou dois grandes êxitos: “Nem às Paredes Confesso” e “Maria Morena”.
Após ser admitido como artista da Emissora Nacional, passou a apresentar-se em vários programas de rádio, alcançando um grande sucesso.
Durante a sua temporada no Brasil, recebeu, em São Paulo, o Prémio Sassy, destinado à melhor atração internacional de music hall.
Fonte: Museu do Fado

Vicente da Câmara
Vicente da Câmara (1928–2016) começou a interessar-se pelo Fado ao ouvir os discos de João do Carmo de Noronha, seu tio-avô, e ao assistir aos ensaios da sua tia, Maria Teresa de Noronha.
Aos 15 anos, já cantava como amador, frequentando, com os amigos, espaços como a Adega Mesquita, a Adega Machado e a Adega da Lucília. Foi também nessa altura que aprendeu a tocar guitarra.
Em 1948, ganhou o 1.º prémio do concurso da Emissora Nacional e, a partir desse ano, participou num grande número de programas daquela estação, como os “Serões para Trabalhadores”, programas de estúdio e o programa que Maria Teresa de Noronha, sua tia, mantinha na emissora.
Em 1950, assinou o seu primeiro contrato discográfico, gravando o seu primeiro disco e lançando temas como “Fado das Caldas” e “Varina”. Atuou em vários palcos por todo o mundo, deixando-nos canções como “A Moda das Tranças Pretas”, “Guitarra Soluçante”, “O Fado Antigo é Meu Amigo” e “Há Saudades Toda a Vida”.
Fonte: Museu do Fado