João Monteiro venceu o 2º Open de São Domingos

O CAMPEÃO NACIONAL ABSOLUTO VENCEU O SEU 3º TÍTULO EM TORNEIOS A CONTAR PARA O RANKING MUNDIAL, MAS ESTE DE NÍVEL SUPERIOR, DE 23 MIL EUROS EM PRÉMIOS MONETÁRIOS. CARLOS LEITÃO CAMPEÃO EM CADEIRA DE RODAS

 João Monteiro conquistou o título mais importante da sua jovem carreira, no 2º Open de São Domingos, o torneio internacional de ténis, de 23 mil euros em prémios monetários (25 mil dólares), a contar para o ranking mundial do ATP World Tour, que hoje (Domingo) terminou no São João Ténis Clube, em Lisboa.

O campeão nacional absoluto, de 23 anos, a completar um ano de profissionalismo depois de quatro temporadas no circuito universitário norte-americano, somou o seu terceiro título internacional, o segundo em Portugal e o segundo em 2017.

João Monteiro, 2º cabeça de série, derrotou na final de singulares outro português, Nuno Borges, de apenas 20 anos e vindo da fase de qualificação, que procurava carimbar a “dobradinha” depois de ontem (Sábado) ter-se apoderado do troféu de pares, ao lado do seu amigo Francisco Cabral.

A final de singulares iniciou-se com um atraso de mais de duas horas devido à chuva e só terminou depois das 20h00, mas o público presente não arredou pé, tal a qualidade do confronto que se prolongou por duas horas e quatro minutos, para se concluir com os parciais de 6-4, 1-6 e 7-5.

«É, sem dúvida (o seu título mais relevante), porque em termos de pontos é muito importante, são mais 9 pontos (ATP) do que um torneio de 15 mil dólares, estes 27 pontos ajudam-me bastante para atingir os meus objetivos para o resto do ano», disse o 397º classificado no ranking mundial, que vai atingir amanhã (segunda-feira) a sua melhor classificação de sempre.

Os seus dois títulos anteriores foram alcançados em Idanha-a-Nova, em julho de 2016, um torneio de 10 mil dólares, onde somou 18 pontos ATP; e em Santa Margarida de Montbui, em Espanha, em maio de 2017, de 15 mil dólares, onde arrecadou também 18 pontos ATP.

No 2º Open de São Domingos, torneio que este ano elevou o seu total de prémios de 10 mil para 25 mil dólares (cerca de 23 mil euros), João Monteiro angariou 27 pontos para o ranking mundial e ainda embolsou 3.600 dólares (cerca de 3.215 euros).

Nuno Borges, de 20 anos, ainda amador e jogador no circuito universitário norte-americano, que surge apenas no 1264º posto do ranking mundial, fez uma prova sensacional, vindo da fase de qualificação, apurou-se para a sua primeira final de singulares e por pouco não a ganhou.

Se fosse profissional teria saído de São Domingos de Benfica com 2120 dólares pela final de singulares e 775 pela vitória no torneio de pares, um total aproximado de 2.585 euros.

«Odeio perder e desta forma nunca sabe bem, mas sem dúvida que foi uma boa semana», disse Nuno Borges, o semifinalista do poderoso NCAA (na primeira divisão do campeonato universitário norte-americano).

O jogador da Maia referiu-se a «perder desta forma» porque a final poderia ter caído para qualquer lado e teve variadíssimas alternâncias de poder.

O portuense João Monteiro entrou mais forte, liderou o primeiro set por 4-0, mas depois houve uma grande reação de Borges que só perdeu a primeira partida por 6-4. O segundo set foi todo de Borges que chegou rapidamente aos 5-0 antes de vencer por 6-1. A terceira e última partida parecia pender para Borges que comandou por 4-2 e dispôs de 3 pontos para fazer o 5-3 (40-0 no seu serviço), mas nessa altura fez uma dupla-falta e mais dois erros diretos. Monteiro igualou a 4 jogos e a partir desse momento a “batalha” tornou-se numa questão muito mais mental do que técnico-tática.

«O encontro foi algo estranho porque eu entrei muito bem, ele não estava preparado para o ritmo e depois, a partir do 5-1, ele entrou no jogo, eu acabei por ganhar o set mas estava por baixo no jogo. Depois andei literalmente um set e meio atrás da bola. Ele jogou muito bem e mais uma vez foi o coração que falou mais alto, lutei até ao último ponto e estou muito contente», rejubilou João Monteiro, que não se esquece que este título foi conseguido depois de salvar quatro match-points nos quartos de final.

Nuno Borges, por seu lado, disputou o seu 11º encontro da semana, no somatório de singulares e pares, e é óbvio que também sentiu as mudanças de marés: «Com a chuva, o meu arranque foi um bocadinho mais lento. Se calhar não entrei bem preparado. Depois consegui aplicar o que tinha em mente e coloquei-me em muito boas condições de ganhar. A dada altura no terceiro set (quando vencia por 4-2) relaxei mentalmente, perdi o foco, fi-lo acreditar outra vez. O jogo mudou de sentido de repente, começamos a sentir que já não estamos em cima, o cansaço também não ajuda».

Os dois finalistas defrontaram-se pela segunda vez, depois de Monteiro ter derrotado Borges na primeira ronda do Future de Idanha-a-Nova, em julho do ano passado, também sobre “hardcourts”, por 7-5 e 6-2, no caminho para aquele que foi, então, o seu primeiro troféu em torneios a contar para o ranking mundial.

Durante a última jornada do Open de São Domingos realizou-se também um torneio de ténis em cadeira-de-rodas, com a presença de três dos quatro jogadores da seleção nacional que esteve presente no último Mundial: Paulo Espírito Santo, Carlos Leitão e João Sanona, aos quais se juntou Francisco Aguiar.

Também a final de cadeira-de-rodas foi a três sets, com Carlos Leitão, sete vezes campeão nacional na especialidade, a derrotar João Sanona por 6-3, 2-6 e 10/6.

Em duas edições o Open de São Domingos atribuiu o troféu apenas a portugueses, o que nos orgulha: Em 2016, Frederico Gil em singulares, João Domingues e Nuno Deus em pares; em 2017, João Monteiro em singulares, Nuno Borges e Francisco Cabral em pares.